Oficial de Justiça de São Luís de Montes Belos conta desafios da profissão

                            

Na campanha de valorização dos oficiais de Justiça, iniciada na última semana pelo Sindicato dos Servidores e Serventuários da Justiça do Estado de Goiás (SINDJUSTIÇA), profissionais da área, lotados em todo o Estado, revelam o dia a dia da profissão, cuja atividade é considerada de risco. Servidores das comarcas de Uruaçu e Anápolis já relataram os desafios da carreira, em entrevista ao portal do SINDJUSTIÇA. Confira, nesta edição, a história do oficial de Justiça Renato Cândido de Oliveira, efetivo no cargo desde 1996, na unidade jurisdicional de São Luís de Montes Belos, no Centro goiano.

“É o oficial de Justiça quem leva a ordem judicial”

Amigos de verdade influenciam para o bem. Foi este o motivo que levou o oficial de Justiça Renato Cândido de Oliveira, lotado em São Luís de Montes Belos, a prestar concurso para o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), em 1996, na função que ocupa atualmente. “Naquela época, eu tinha amigos que trabalhavam no fórum (da cidade). Então, surgiu a oportunidade e, por influência deles, eu prestei o concurso e passei”, conta o servidor do Poder Judiciário estadual. São Luís, como é popularmente chamada, fica localizada na região Central do Estado, a 120 quilômetros de Goiânia. Renato assinala como atrativo, para o cargo, o reconhecimento da categoria pelo público. “Uma das vantagens, nesse emprego, é que ele é bem visto pela sociedade, no conjunto da prestação jurisdicional”, avalia. O oficial de Justiça, contudo, externa desafios enfrentados por profissionais desta classe no cotidiano.

“Tem a dificuldade com endereços inexistentes; cumprimento de mandados de prisão cível, com auxílio da Polícia Militar (PM), que nem sempre pode nos acompanhar; bem como resistência em mandados de reintegração de posse de imóveis”, elenca Renato. Oficiais de Justiça são expostos, todos os dias, a ameaças e agressões físicas. Nos casos mais graves, há registros, também em Goiás, de profissionais vítimas de roubos e assassinatos. Renato conta que, certa vez, ao intimar um detento, o preso ameaçou de morte a família, não só do oficial, mas do juiz de Direito e do promotor de Justiça envolvidos na detenção do homem. De situações consideradas perigosas a experiências inusitadas, o dia a dia destes servidores do Judiciário reserva uma surpresa a cada local visitado.

Renato dá coro a esta condição. Ele cita episódio ocorrido na zona rural. “Quando fui intimar uma pessoa, numa fazenda, choveu muito e o córrego transbordou. Então eu tive que esperar até a noite, quando o nível da água já havia baixado”, lembra. O oficial de Justiça comenta os reflexos do trabalho da categoria na prestação jurisdicional. “É o oficial de Justiça quem leva a ordem judicial. Eu acho muito importante porque, sem o nosso serviço, o andamento de processos judiciais fica prejudicado”, argumenta Renato sobre a atuação dos oficiais de Justiça.

Fonte: InfoJus Brasil
 
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